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Crônicas Ocultas do Clã DBOF: Cap 3 pt 4

cristo dbof

Por: M. Barreto

Capítulo III: Quando o Sol bater na janela do teu quarto… a aventura fantástica começará

Eram 13:13. Thiago olhava no relógio esperando o tempo passar. Estava sentado em frente ao computador que acabara de ser iniciado. A Internet conectou. Na mente de Thiago, só havia um lugar a ir, a DBOF. A comunidade virtual que o acolheu há muito tempo. Antes da DBOF, Thiago estava perdido, sem amigos, sem motivação. Contudo, isso foi há muito tempo. 4 anos atrás. Hoje, ele era o dono emérito da comunidade, dividindo o poder igualmente entre os 7 moderadores, possuía muitos amigos dentro do outro lado das conexões da Internet.

Ele era branco, alto, excessivamente magro. Junto a isso, seus cabelos e olhos negros cobertos por uns óculos de grossa armação, parecendo estranhamente com um visor de mergulho, lhe faziam parecer um pouco excêntrico.

Abriu o Gokut, nem ao menos leu seus recados, entrou direto na DBOF.

Desde a saída de Dario da DBOF, quando fora nomeado dono, ele começou a sentir, pela primeira vez, que era realmente útil em algum lugar. Quando Dario voltou e quis tomar a comunidade, não exitou em devolvê-la. Nunca imaginaria que o homem responsável por criar o seu lar fosse querer destruí-lo a troco de nada. Willian jamais lhe deu tanto esporro quanto naquele dia. Mauricio só chegou depois do caso resolvido e apenas pode atribuir tudo ao que dizia ser o “jeito Thiago de ser ingênuo”.

Foi para o tópico de “Chat” da comunidade.

Isso foi há 3 anos, mas ele ainda pensava nisso de vez em quando. Entretanto, o fazia com muito menos freqüência agora. Pois também tinha muitas outras coisas importantes a pensar. Acabara de se formar no ensino médio e não fazia idéia do que fazer da vida. Pensou em fazer algum curso técnico, mas nada lhe interessava. Pensou em arranjar um emprego para ganhar dinheiro logo, mas foi desencorajado pela família. Pensou em fazer faculdade, mas estava longe de estar no ritmo de vestibular. Xiku sempre dizia que pensar não era para o Thiago.

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“Fala povo o/, hoje eu vou pegar meu diploma de segundo grau e não sei ainda o q fazer da vida” escreveu Thiago. Abriu uma nova janela e verificou seus recados, entretanto não havia nada demais. “São Paulo vai Ownar o Palmeiras hj, eu vou ver o jogo no Morumbi!!!” escreveu Pedro no Chat, poucos antes de Thiago. Ele estava falando desse jogo já fazia dois dias. Direto. Sem parar. Estava começando a ficar chato, pensara Thiago.

O dia estava claro, abriu a janela do quarto e sentiu a briza tocar-lhe o rosto. O barulho habitual da grande metrópole não o incomodava nem um pouco naquele dia. O Sol estava agradável e ele sentiu que não importava o que o futuro lhe reservasse, a sua vida estava apenas começando.

 

Thiago agora estava olhando incrédulo para a pessoa no chão. Era como se não houvesse mais nenhum incêndio pondo sua vida em risco. Aquele não podia ser ele, ou podia?. O que ele estaria fazendo ali e como sabia onde o encontrar?

 

Mauricio acordou em uma ambulância de resgate com uma máscara de oxigênio. Estava deitado em uma fria maca. Levantou com cuidado e olhou em volta. Havia um bisturi, linha e uma pinça em cima de uma bancada, gazes e luvas limpas do lado. Viu que seu braço tinha uma sutura de três pontos em um corte. Estava ainda tonto, mas sentia muito mais firmeza no corpo do que antes. Se perguntava quando tempo teria se passado. Olhou o oxímetro, estava em 100% de saturação. Deitou novamente e ficou ali, apenas respirando, por alguns minutos.

–        Só preciso descansar mais um pouco –pensou.

Sua mente voou para longe dali. Estava na faculdade, esperando ela descer as escadas. Um discreto sorriso lhe toma a face quando ele vislumbra seus pés andando nos degraus, depois suas mãos erguendo-se para tocar os cabelos. Seu corpo inteiro naquele fino vestido azul. Ela estava de pé ao seu lado olhando para ele com um tenro sorriso. Um nome soa nos lábios de Mauricio.

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–        Julia…

Ele acorda. Havia dormido outra vez. Retirou a máscara. Não podia pensar nela naquele momento. Já havia dito isso para si mesmo. A pele morena e suave dela voltou a sua mente enquanto levantava. Balançou a cabeça tentando afastar a lembrança. Sem arrependimentos, sem olhar para trás. Jurou lhe dar um futuro, ela não morreria naquela explosão. Ninguém morreria.

– Finalmente você acordou –disse uma voz masculina fora da ambulância.

 

Pedro estava procurando Thiago no meio daquela multidão. O havia perdido de vista quando os bombeiros o desceram do alto do prédio. Também não via Mauricio há algum tempo e ele não atendia o celular. Estava no gramado em frente à escola que estava em chamas. As ambulâncias se amontoavam  por ali, cercadas por um cordão de isolamento. Centenas de pessoas se aninhavam em torno da faixa amarela querendo saber notícias. Os guardas não o deixariam passar, se não fosse pela única pessoa que ele rezou para não encontrar naquele dia.

–        Pedruxo lindinho!! –gritou alguém do outro lado com uma voz aguda.

–        Essa não –sussurrou Pedro colocando a mão no rosto.

Queria se esconder. Vitinhu era o ultimo membro da DBOF que ele gostaria de ver naquele momento. Todavia, naquele momento era seu passaporte para o outro lado daquela faixa amarela de isolamento. Era um rapaz moreno que parecia “uma gazela saltitante” na definição de Pedro.

Vitinhu acenava freneticamente, dando pulinhos e risinhos.

–        Oi benhe –disse todo animado. O que você está fazendo aqui?

–        Oi Vitinhu –começou Pedro meio sem graça. Você pode por favor pedir para aquele guarda me deixar passar.

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–        Ai claro Linduxo –disse sem exitar.

Em pouco tempo, o guarda acenou para Pedro entrar, enquanto tentava afastar o rapaz afeminado com a outra mão.

–        Grande garoto! –sussurrou acenado positivamente para os dois.

Olhou as ambulâncias uma por uma. Achou Mauricio se levantando em uma delas, com Thiago do lado de fora. Correu até eles.

 

Thiago correu passando pela multidão em volta do homem no chão.

–        Ei, Mauricio! –chamou chacoalhando o amigo. Acorda mano!

Ele não respondeu, ainda estava desmaiado. Os bombeiros chegaram e começaram a evacuar as pessoas por uma escada. Thiago não saiu de perto do amigo caído. Explicou que o conhecia aos homens de vermelho e desceu ao lado da maca. Ficou esperando que ele acordasse por algum tempo. Ele se levantou, mas deitou novamente.

–        Sonâmbulo? –pensou Thiago.

Minutos depois ele se levantou novamente e balbuciou alguma coisa ininteligível. Thiago, então, apareceu na porta da ambulância e disse:

–        Finalmente você acordou.

Tudo é dor,

E toda dor vem do desejo,

De não sentirmos dor.

 Renato Russo em Quando o Sol bater na janela do teu quarto.

Fim do Capítulo III.

Próximo capítulo: Indo às profundezas

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