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Crônicas Ocultas do Clã DBOF: Cap 4 pt 1

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Por: M. Barreto

Capítulo IV: Das profundezas

Estou afundando. Cada momento passa lentamente diante de meus olhos. Estou caindo. Meus pés não querem me deixar subir. Estou morrendo. Estou chegando ao fundo. Não, ainda posso descer mais. Eu grito, não por socorro, mas de ódio e desespero. Contudo, é a ajuda que estende as mãos para mim e não a morte, como esperava.

Não é a mão de um anjo, está longe de sê-lo. Era uma mão amiga. Era tudo o que precisava. Finalmente alguém se importava. Finalmente alguém lembrava. Ele me vê. Agora sei que existo. Estive perto das trevas e me tornei um novo ser. Absorvi maldade e a usei para o meu bem. Confiei novamente. Gostei de estar nesse mundo, mesmo sendo injusto e cruel com as diferenças.

Ontem, você me enganou, me afastou e me mutilou. Tentou arrancar de mim o que você mesmo me deu. Minha nova família. Me pergunto se você não era feliz também. Você era meu mestre, meu salvador. Agora o que você é pra mim? Inimigo, algoz? Quero saber o porquê para me vingar depois. Você vai ver que a vitima dessa vez é você.

 

Mauricio ficou pasmo de ver Thiago ali. Achou até que fosse uma alucinação. “Besteira, alucinações raramente são ao mesmo tempo visuais e auditiva” pensou. Caminhou até o amigo que subia na ambulância.

–        É muito bom te ver cara –disse Mauricio praticamente caindo nos ombros de Thiago quando foi abraçá-lo.

–        Ei, você ta bem Mauricio? –perguntou Thiago. 

–        Mais ou menos, respirei muita fumaça. Acho que não era para eu morrer ainda –falou com um sorriso. Preciso de uma bolsa de sangue.

–        Uma o que? –se espantou Thiago.

–        Se não, acho que vou atrasar a aventura.

–        Aventura?

–        È isso ai, HB –disse alguém por trás de Thiago.

–        Pedro! –Thiago não esperava encontrar outro amigo distante ali –se cumprimentaram. Que história é essa de aventura?

–        O mundo vai acabar daqui há 10 dias quando o Dario lançar bombas de Hidrogênio no planeta todo –disse Mauricio pegando algo na mesa ao lado e olhando por trás dos ombros dos amigo. Se afastem por favor.

–        Isso é brincadeira né? –perguntou Thiago temeroso, mas com um sorriso.

O sorriso dele desapareceu ao perceber as caras sérias com que os amigos o olhavam. Alguém tocou-lhe o ombro e ele deu um pequeno salto de susto. Ao olhar para trás um médico de meia idade e aparência jovial dizia para se afastarem um pouco por que ele queria ver como o seu paciente estava.

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–        Colega, eu preciso de um concentrado de hemáceas –disse Mauricio gentilmente enquanto sentava na maca, muito ofegante.

–        Você não está sangrando rapaz? –disse o médico indo em sua direção.

Mauricio fez um sinal para Pedro fechar as portas da ambulância.

–        Eu estou com muitas das minhas hemáceas com carboxihemoglobina –falou olhando para o teto. Dessa forma minha capacidade de carrear oxigênio para minhas células está extremamente comprometido. Só estou de pé devido ao aumento da fração dissolvida no plasma que em geral é de apenas 7%, mas se altera grandemente com a inalação de oxigênio concentrado –agora fitava gentilmente os olhos do médico.

–        Vejo que você não é um leigo, entretanto o seu tratamento será melhor com repouso e oxigenioterapia –disse também olhando nos olhos de Mauricio. Em alguns dias estará melhor.

–        Eu não te chamei de colega à toa. Acertou ao dizer que não sou leigo, sou um estudante de medicina –falou fitando furiosamente os olhos do médico. Continuando, além disso, o monóxido de carbono ainda pode se acumular em meu tecido muscular, fazendo com que meus sintomas perdurem por alguns dias. Todavia, eu preciso me movimentar muito nesses dias e não posso ficar parado esperando minha asfixia parar –o médico parecia não ligar para o que Mauricio dizia, afinal, para ele, o paciente não tem opinião.

Thiago e Pedro assistiam à aula de Mauricio estupefatos com o conhecimento dele. Quando o médico se inclinou para recolocar a máscara de oxigênio em Mauricio, este levantou a mão direita e colocou um bisturi perto do meio do pescoço do outro, um pouco para a direita.

–        Estou com um bisturi na sua Artéria Carótida, se não me der o concentrado de hemáceas, eu te mato aqui mesmo –falou com uma naturalidade surreal para o momento.

Pedro e Thiago ficaram chocados com a ação do amigo. Thiago ainda fez menção a se contrapor, mas Pedro fez sinal para ele ficar parado. Sabia que dali não havia mais volta e o real panorama era desesperador.

–        Ei garoto cuidado com isso –o médico falou perdendo o tom jovial pela primeira vez.

–        Na verdade, posso fazer isso eu mesmo ou com a ajuda de meus amigos, mas vai levar muito tempo. E tempo é muito preciso nos dias de hoje –Mauricio deu um longo sorriso sarcástico.

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–        Eu faço então –disse com um grande medo de morrer.

Ele começou os preparativos para o procedimento.

–        Qual a sensação de ter esse mono… –começou a perguntar Thiago vendo que havia esquecido o nome da substancia.

–        De ter o monóxido de  carbono no sangue? –completou Mauricio. Imagina que você está respirando, mas não está fazendo a mínima diferença. O ar que entra não vai pra onde deve. Fica só no pulmão e não vai pro sangue. Eu podia ter morrido asfixiado respirando. Ruim né? –falou com um sorriso.

A agulha entrou na fossa cubital direita de Mauricio. Ele sempre odiou a sensação de ter agulhas em seu corpo. Para tomar injeções de vacina sempre foi muito difícil, mas agora não relutou em tomar essa. A responsabilidade falava mais alto. A bolsa de sangue escoava lentamente. Thiago e Pedro olhavam um para o outro. Mauricio ficava observando o medico que estava sentado em um canto, isolado de todos.

Lá fora, os feridos estavam sendo cuidados e o fogo estava sendo apagado. Passara-se meia hora e a bolsa estava no fim. A agulha foi retirada e colocada uma gaze no lugar. Mauricio já se sentia bem melhor. Sua respiração voltara ao normal e não estava mais tonto.

–        Agora que isso acabou, você pode me dizer porque tudo isso? –perguntou Thiago.

–        A história é longa e vamos te contar no caminho, mas para que ele também ouça… –disse indicando o médico com a cabeça. Tenho uma informação privilegiada de que no dia dois de fevereiro o seu antigo chefe, Dario, vai iniciar um ataque nuclear, levando a uma reação em cadeia que destruirá a raça humana. E apenas os sete moderadores podem fazer algo para impedi-lo.

–        Isso é loucura –falou o médico.

–        Espero que seja mesmo –disse Thiago.

–        Eu não teria saído da minha casa geladinha e confortável para entrar naquele inferno te procurando se não fosse verdade –falou Mauricio.

–        È isso ai –concordou Pedro.

–        Não tenho nada a me desculpar com você –disse Mauricio se virando para o médico. Mas peço que não conte a ninguém o que viu aqui. Se em dez dias nada de estranho acontecer no Alagoas, você me denuncia. Ok?

–          Você é louco.

–        Do meu ponto de vista, se você dificultar as coisas eu vou te matar. Porque se não fizer isso, 6 bilhões de pessoas vão pagar o preço. E se eu falhar você vai morrer daqui a dez dias mesmo –Mauricio sorriu para ele.

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–        Certo então farei como diz. Mas você não quer ajuda da polícia ou do militares para sua empreitada? – falou o médico sarcasticamente.

Mauricio saltou da maca, Pedro abriu as portas e saiu com Thiago. Mauricio foi logo em seguida, virando para trás logo depois.

– Em todos os cenários que eu já consegui pensar, pedir ajuda ao governo não é uma forma muito apropriada de ter ajuda. Afinal, burocracia e corrupção andam juntas. E se bem me lembro, nosso inimigo é um político.

 

Thiago disse que sua avó morava no final da rua, então seguiram para lá. Estava caminhando enquanto Mauricio explicava a situação para ambos.

–        Então, é isso

–        Puxa… –exclamou Thiago baixinho.

–       Repuxa… –disse Pedro. Mauricio, porque você disse que avisar as autoridades podia ser pior?

–        Bem… –coçou o queixo. Há um motivo para o Doutor ter mandado aquele vídeo para mim e não para a central inteligência das forças armadas. Ele teve mais tempo do que eu para analisar a situação e acho que ele não fez isso porque se o cenário mudasse, forçaria Dario a tomar atitudes drásticas, lançando o ataque antes da hora. Do jeito que estamos fazendo, na surdina, tenho certeza que temos 10, ou melhor, 9 dias de vantagem.

–        E você iria realmente matar aquele senhor? –perguntou Thiago sem o sorriso habitual no rosto.

–        Farei o que for preciso para proteger as pessoas que amo nesse mundo. Se isso significa matar um “inocente”… –disse fazendo o sinal das aspas. Então eu farei. Somos a ultima esperança da humanidade. O quanto antes se convencerem disso, melhor para vocês, pois essa não é uma viagem de férias.

Pedro e Thiago estavam olhando para ele e observaram que ele parecia muito mais experiente do que sua aparência jovem deixava transparecer. Pedro agora começava a entender no que tinha se metido. Thiago ainda tentava absorver que estava entrando numa fria. Mauricio completou quando estavam no portão da frente da casa da avó de Thiago.

–        Não pedi para estar nisso, nem vocês também. Não nos foi dado muita escolha. Mas temos que fazer o que for preciso por aqueles que nos são preciosos –falou esboçando um sorriso na face séria.

Continua…

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Como diria Yoda: com a palavra você está