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Crônicas Ocultas do Clã DBOF: Cap5 – pt1

Por: M. Barreto

Capítulo V: Conflitos Internos

Para sete jovens que sempre desejaram viver no mundo dos sonhos, a irrealidade se tornava realidade tão rápido quanto a escuridão vem depois da aurora. Vivendo nesse mundo de sonhos, agora quase pesadelos, eles terão que acordar para o real e adormecer novamente para enfrentar o irreal. Confusão de sentimentos e desejos. Heróis anônimos, destinados por alguém dez anos depois de começaram sua jornada.

Em meio à paradoxos, a contradição se faz até mesmo dentro do grupo. Enquanto alguns já estão cientes de sua missão, outros continuam ainda sonâmbulos e um deles está tentando fugir desesperadamente de suas responsabilidades, como fizera toda a vida.

O destino será tão injusto que precisa realmente por em prova o coração de pessoas tão jovens? Ou será que isto faz parte do grande plano da vida para sua maturidade? Tantas perguntas sem resposta.

Tantas respostas sem pergunta, deixavam Mauricio abismado. O Doutor havia planejado perfeitamente tudo. Desde o rapto de Danton aos falsos documentos. Ele sabia que o menino não aceitaria aquela responsabilidade em nenhuma outra hipótese.

Ele estava quieto agora. Sentado na poltrona da frente, entre Thiago e Willian. Mauricio estava na janela, com Pedro do seu lado. Estava pensando em quando passaram pelo aeroporto, dissimulando com Danton. Foi muito tenso passar por policias que poderiam muito bem estar atrás deles, todavia era necessário. Ninguém desconfiou e puderam seguir viagem. Com um pouco de sorte, Adriana e Xiku já estariam no Alagoas.

Horas antes em Pernambuco.

O quarto estava escuro. Uma luz se ascendeu e um homem jovem entrou. O cômodo estava uma grande bagunça. Um violão jogado de lado, camisas, shorts e chinelos largados por todos os cantos. Só o computador parecia estar recebendo alguma atenção. Ele estava ligado e aberto no Gokut, na página da DBOF. O homem sentou na cadeira do computador para ver as suas mensagens. Havia recados de Mauricio, Thiago e Pedro.

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Xiku achou que tudo não passava de uma brincadeira. Como Dario poderia destruir o mundo? Viu que Adriana também havia recebido as mensagens dos três. Nenhum dos três estava na Internet agora. O que deveria fazer?

–         Estou precisando de umas férias mesmo –disse para si mesmo.

Arrumou sua mala e saiu de casa sem se explicar muito. Horas depois, estava chegando no aeroporto.

Adriana deu uma risada sarcástica quando viu a mensagem e disse em alto em bom som.

–         Esses malucos acham realmente que me enganam com isso?

Ela ficou conversando com os amigos virtuais e esqueceu da “brincadeira”. Quando voltou ao Gokut resolveu ler de novo as mensagens. Dessa vez nem ao menos riu. Levantou-se e foi ao banheiro Estava muito quente e resolvera tomar um banho para relaxar.

Ela lembrava muito bem da época em que Dario tomou a DBOF para si, valendo-se da ingenuidade de Thiago. Ele havia sido seu amigo, mais do que qualquer outro na DBOF. Depois de sua saída, ela ficara muito triste. Quando ele voltou, achou que tudo voltaria a ser como antes. Mas ele havia voltado com uma namorada, Lucy. Depois disso, tudo começou a desandar.

Acabara o banho e o recado de Mauricio não saíra de sua cabeça. Ele sempre fora tão insuportavelmente certinho para ela que chegava a duvidar da verdade. Ele não brincaria com coisas assim, pensou. Olhou novamente para sua página no Gokut e dessa vez deu crédito aos seus companheiros da DBOF. Dario seria bem capaz disso, se Lucy o controlasse a tal.

–        Se ela fez ele se virar contra seus amigos, porque não contra o mundo –disse mais alto do que devia.

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Sentou novamente na mesa do computador e resolveu escrever para a DBOF. Colocou seu coração em cada palavra, como sempre fizera antes.

Dali há poucas horas, ela já estava embarcando no vôo rumo ao desconhecido.

Danton estava reclamando como sempre, contudo, de repente, ficou parado. Pedro e Thiago não perceberam, Will não ligou e Mauricio voltou para ver o que havia acontecido. Ele perguntou o que havia acontecido.

–        Mauricio, daqui há pouco eu vou conhecer a garota  que eu amo  faz 3 anos! –Disse Danton com uma expressão assustada. O que eu faço?

–        Seja você mesmo –respondeu Mauricio com um sorriso terno.

–        Ela não vai gostar de um pirralho de 14 anos –retrucou Danton.

–        Tenha fé em quem você é –falou fitando o amigo com uma séria expressão.

Mauricio pôs o braço atrás do pescoço de Danton e o puxou para frente, ainda conversando.

–        Se você for confiante do seu modo de ser, as pessoas certas sempre chegarão até você –falou Mauricio solenemente.

–        E como eu devo chamar ela? Adriana? Swan? Dri? Senhorita? –disse alternando o tom e o timbre de voz para cada alcunha.

–        Bem, isso é difícil… –Mauricio falou coçando o queixo. Eu sempre chamei a Julia de Mon amour, que quer dizer Meu amor em francês, mesmo antes de estarmos juntos. Talvez funcione com a Adriana.

–        Mon amour? –repetiu Danton. Gostei! Valeu cara!

Mauricio entendia bem o que Danton sentia. Metade dos chamados membros ativos homens da DBOF já fora apaixonado pela Adriana Swan em um momento ou outro.

Os cinco jovens se aproximavam da saída do aeroporto, quando se depararam com uma esplendida visão: Um homem magro e alto, de rosto amigável e tranqüilo,  em pé olhando para eles e uma bela jovem branca com longos cabelos negros sentada ao seu lado. Ao fundo, um lindo nascer do sol e algumas árvores altas fechavam o cecnário.

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Xiku correu ao encontro dos amigos e cumprimentou Thiago, Danton, Will e Pedro com diferentes toques de mão, Mauricio, mais informal, acabou abraçando-o. Adriana foi direto falar com Will e depois cumprimentou os outros. Mauricio também  deu-lhe um abraço e um morno beijo na bochecha. Ela retribuiu ambos. Ela falou com Danton e também lhe deu beijo no rosto. Quando os lábios carnudos de Adriana tocaram sua face, Danton estremeceu.

–        Finalmente te conheci, Mon amour –As palavras de Danton fizeram ela sorrir de leve, pela primeira vez desde que chegara ali.

Tudo estava tão feliz que parecia que ficaria assim para sempre. À noite, um soco selaria o erro desse pensamento utópico. Contudo, ainda há muito que contar no presente momento de nossos heróis para saltarmos tanto no tempo.

Continua…

PS.: Fico devendo uma capa para vocês.

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