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Crônicas Ocultas do Clã DBOF: Cap6 pt4

Por: M. Barreto

Capítulo VI: You Could Be Mine

Leandro olhou no mapa a estrada mais próxima da base em que podia descer do ônibus. Os 7 estavam sentados em uma praça, enquanto viam as rotas de ônibus. Pelo que Thiago e Vitor acharam na Internet, teriam que tomar 3 conduções diferentes para chegarem ao seu destino, o que provavelmente levaria o dia todo.

–        Que bom que ainda temos uma semana pra fazer isso –Disse Neo. Não acho que vai ser tão fácil quanto o Mauricio falou.

–        Neo, faça-me um favor… –Disse Xiku fitando rispidamente Neo. Fique quieto. O plano é bom e na verdade não temos muito tempo. A qualquer momento pode acontecer um evento que não vai poder ser mudado, temos que agir o quanto antes. Essas foram as palavras de Mauricio para mim.

–        E eu confio no plano do Mauricio –Pedro falou sendo seguido pelos outros cinco.

–        Façam como quiserem –falou Neo. E então, o que faremos agora?

–        Vamos pegar os ônibus –Xiku responde olhando o mapa. Vamos chegar até onde der hoje e vamos fazer um reconhecimento na base logo de manhã.

–        Que tal irmos de táxi? –sugeriu Neo. Eu pago.

–        Você não acha que o taxista vai achar meio estranho seus passageiros planejarem atacar uma base militar? Ele vai chamar a polícia no momento em que formos reabastecer –Xiku falou alto e intimidadoramente.

–        Odeio andar de ônibus, já dormi num hotel chinfrim. Eu vou de táxi! –Neo respondeu mais alto.

–        Então vá te táxi, vamos todos de ônibus –Xiku falou calmamente agora, saindo de perto em seguida.

Thiago, Pedro, Vitor, Leandro e Renan seguiram Xiku até o ponto de ônibus. Neo olhou-os saindo. Viu que o ponto de táxi era perto. Seu coração acelerou, começou a suar e andou na direção do ônibus.

–         Ei me esperem ai –disse acenando para os amigos.

Mauricio, Denis, Danton e Karol foram ao escritório de Dário de ônibus. Estavam já a meio caminho, quando Mauricio pediu que todos descessem

–        Estamos indo para o lugar errado… –disse Mauricio enigmaticamente.

–        Como assim brow? –Denis perguntou assustado.

–        Dario não vai estar no escritório real, vai estar no outro. Aquele de onde a gente tem as plantas –falou olhando para cima. Como eu sou burro, temos que sair agora e ir para lá.

–        E como achamos o caminho Mauricio-chan –Karol perguntou.

–        Está no mapa, parece que apesar do acesso restrito não há dificuldade de chegarmos lá.

–        Então vamos logo brow –Denis falou andando para um lado.

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–        Ahn… Denis… –Mauricio chamou. É para o outro lado.

Denis parou e voltou-se para eles.

–        Eu só estava tomando impulso –falou sorrindo.

Todos riram.

Andaram um pouco e depois pegaram um ônibus que os deixaria a meio quilômetro do local. . Denis e Karol trocavam carícias, entretanto ainda tinham medo de arriscar o primeiro beijo.Mauricio tentava explicar a Danton a Teoria da Relatividade de Einsteinpara Danton. Apenas tentava.

–        Continuo sem entender Mauricio –Danton falou colocando as mãos na cabeça, sou muito burro, pode falar.

–        Sim, você é –Falou Mauricio.

–        Eu sei –Danton confirmou cabisbaixo.

–        E também não é.

–        Como assim? –Danton perguntou olhando de lado.

–        Isso é relativo –disse Mauricio. Tudo depende do ponto de vista, se você pegar um grupo dos 10 maiores físicos do mundo, você comparado a eles é uma ameba em inteligência. Contudo, se você analisar 10 ou 100 crianças da sua idade você verá que está bem acima da média.

–        Entendi –respondeu Danton levantando a cabeça. Essa é a teoria da relatividade de Einstein então?

–        Exatamente. E você sabe o que é o Principio da Incerteza de Heinsenberg?

–        Muito menos…

–        Bem, esse principio diz que é impossível você medir todos os parâmetros de um evento sem alterar os resultados encontrados. Por exemplo, se você colocar uma câmera na floresta para ver o comportamento animal, você vai alterar o modo como ele interagem com o mundo porque você colocou um elemento que antes não existia. Entendeu?

–        Mais ou menos –Danton fez uma careta. Você quer dizer que se o animal vir a câmera ele vai agir de modo diferente?

–        Isso mesmo –Disse Mauricio. Por isso há o aviso de “Você está sendo filmado” nas lojas, para que o assaltante haja de modo diferente, não assaltando a loja. É claro que se você pensar em macro haverá muitas coisas que não vão se encaixar, porquê esse principio foi postulado para prever o porquê dos erros quando você tenta observar ao mesmo tempo o processo de dualidade onda-partícula de um elétron.

–        Ah essa parte de dualidade onda-sei-lá-o-que de fulano não entendi não.

–        Bem, pelo menos estamos progredindo –Mauricio colocou a mão na cabeça de Danton.

Algumas horas se passaram, Xiku revisou o plano várias vezes. Fez todos decorarem todas as suas funções e as dos companheiros. Mauricio confiou-lhe a vida deles e por isso, não poderia ser menos cuidadoso. Desceram em um ponto e procuraram em várias lojas material para fazer rapel no topo da montanha da base e outros equipamentos, segundo o plano. Conseguiram comprar quase no fim do dia juntando o dinheiro de todos,  pois concordaram que assim seria mais justo. Neo ficou contrariado com isso. Dormiram em um hotel de beira de estrada. Acordaram cedo e partiram novamente. Xiku revisou com todos mais 3 vezes o plano inteiro. Estavam todos cansados de ouvir as mesmas palavras e responder as mesmas questões. Pedro e Thiago até ensaiaram um coro para cantar suas funções, deixando Xiku irritado. Contudo, o pernambucano estava achando fácil sua função de líder.

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Na noite do dia 26 de janeiro, dormiram em um bom hotel, descansando o máximo que podiam. Xiku ainda tentou revisar mais um pouco o plano, entretanto Vitor e Leandro fingiram que estavam dormindo, enquanto Thiago e Pedro cantavam suas funções em tom de deboche e Neo ria e dizia que tanto planejamento assim iria lhes matar antes de chegar na missão. Renan tentou fazer algumas piadas sobre Xiku, sem sucesso. Todos o vaiaram e o chamaram de “Renan-mala-sem-alça”

Na manhã do dia 27, fizeram o reconhecimento da base e da área de longe, usando os binóculos. A base era quadrada e cinza, semi-enterrada na montanha atrás dela. A floresta era extensa com lindo verde. Dava para sentir de longe o ar puro que dela emanava.

A expressão nos rostos de todos era de tensão. Muito mais acentuada em Neo, Vitor e Xiku. Pedro e Thiago pareciam prontos para uma guerra, inclusive usando roupas camufladas. Leandro e Renan pareciam os mais normais de todos, embora Renan de vez em quando tivesse um ataques de riso “de nervoso”.

–        Não seria melhor se nós fossemos armados também? –perguntou Vitor a Xiku ao ver vários soldados armados fora da base.

–        Sete adolescente armados contra centenas de soldados armados até os dentes? – Xiku devolveu a pergunta.

–        È, não faz diferença –Vitor respondeu sorrindo desajeitado.

Xiku pôs a mochila com os mapas e códigos nas costas e chamou-os um a um para suas funções. Seguindo o plano, Xiku, Neo, Pedro, Renan e Thiago foram para o alto da montanha com Vitor e Leandro ficariam responsáveis em pôr fogo na mata e distrair os militares e seus sensores.

Os cinco já estavam no topo da montanha se preparando para amarrar quando o celular de Xiku soou com a mensagem escrita “tudo pronto”. Olhou para frente e logo viu que os primeiros sinais de incêndio começavam a aparecer.

Vitor e Leandro haviam preparado diversas garrafas com álcool e com um pano como pavio. Desse modo, conseguiram alastrar o fogo mais rapidamente. Depois de conseguirem incendiar uma boa parte da floresta, voltaram para a estrada e ficaram observando os amigos.

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–         Será que eles vão conseguir? –Leandro perguntou desesperançoso.

–         Espero que sim –Vitor respondeu no mesmo tom.

Pássaros voavam desesperados para fora de seus ninhos, animais corriam para longe das chamas, soldados recuavam da mata, minas explodiam no chão.

Xiku o primeiro a descer, já estava na metade do caminho até o topo da base quando Pedro começou a descer. Thiago estava se preparando para descer e Renan prendia sua corda ao rochedo. Neo olhava para o longo caminho até o chão e se afastava da beirada.

–         Vem Neo, você será depois de mim –Renan disse amigavelmente.

–         Eu é que não vou morrer aqui desse jeito… –Neo disse baixinho.

–         Como assim? – Renan perguntou abismado.

–         Eu não vou morrer me esborrachando no chão –Neo gritou alto fazendo ecoar por sobre as rochas.

Um alarme soou e luzes por toda a base começaram a piscar. Xiku começou a descer rápido. Chegara ao teto da base e amparou Pedro. Juntos seguraram Thiago e olharam para cima, todavia os dois não se mexiam. Renan começou a descer,

–         Vem cara, deixa de bobeira –Disse Renan olhando pra baixo.

–         Eu não devia ter vindo aqui –Neo disse dando um paço para trás.

Quando sua cabeça virava para trás, um projétil acertou-lhe a região fronto-temporal da cabeça.

Xiku, Pedro e Thiago olhavam para cima e não acreditaram quando viram um corpo cair em queda livre. O impacto no chão foi a pouca distância deles e causou um grande estrondo. Os três foram olhar e viram que se tratava de Neo.

Renan descia de rapel aos prantos. Uma salva de tiros atingia a rocha a cima dele agora. Xiku gritou para que ele fosse mais rápido. Thiago achou a porta e inseriu o código. Pedro estava desamarrando as cordas e se preparando para ajudar Xiku a amparar Renan. Os tiros estavam chegando perto dos três agora. Renan saltou quando faltavam 4 metros e caiu bem em cima dos amigos, derrubando a todos. Eles se levantaram e se juntaram a Thiago. Todos queriam chorar, mas sabiam que essa não era a hora e seguiram pelo corredor escuro iluminado por luzes vermelho-alaranjadas.

Você esteve planejando vezes demais

Porque você não descansa um pouco?

Porque você precisa encontrar

Uma outra razão para chorar


Guns N’ Roses em You Could be mine

Fim do capítulo VI.

Próximo capítulo: O Estranho nas Sombras

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