Google

Crônicas Ocultas do Clã DBOF: Cap10 pt3

 

Crônicas Ocultas capítulo 10

Por: M. Barreto

Capítulo X: No relógio do fim do mundo são 23:42

– Thiago! Fala comigo! –Pedro gritava desesperado ao rádio quando viu que muitos soldados atiravam no amigo sem nenhuma reação deste.

Pedro sabia que o mesmo aconteceria com ele em breve.

O guerreiro dourado então se lança em direção aos inimigos, deixando-os num fogo cruzado, ao mesmo tempo em que sua armadura era despedaçada pelos pesados projéteis que usavam. Para não lhes dar as costas, Pedro vira rapidamente somente para ver uma reformada fileira de soldados preparando um pelotão de fuzilamento.

– Fuuuuuuu –ele gritou pouco antes de uma explosão à sua frente lançar-lhe longe.

Quando recuperou o equilíbrio, ele viu que a explosão desmanchara o pelotão de fuzilamento. Em seguida outra explosão acertou os soldados que atacavam Thiago.

– Mas o que acont… –Antes de terminar a frase, ele avistou um tanque ao longe, perto da estrada.

– Achou que estava sozinho nessa, mano? –uma voz chamou Pedro no rádio.

– Quem está falando? –Pedro não reconheceu.

– Bah guri, tu num reconhece os amigos não tchê? –Pedro identificou o sotaque carregado de Vitor. Sim somos nós, Vitor e Léo, não os cantores, os da DBOF!! –riu-se Vitor.

– Agora é o Leandro, Pedrusculo vai ver como o Thiago está, acho que o transmissor dele quebrou por isso não conseguimos entrar em contato. Não sabemos andar com essa coisa, só atirar, então tem que ser nossos braços, mano.

– Tá certo, obrigado amigos, deixa comigo –Pedro disse voando capengamente em direção ao combalido amigo. Cuidem de minha retaguarda!

– Bah, pode deixar que tua bunda vai ficar limpinha tche! –Vitor respondeu.

 

A cabeça de Mauricio doía intensamente. Amarrado à maca com uma forte luz branca em seu rosto. Escorrendo sangue de algumas feridas. De repente um som irrompe o silêncio.

– Mauricio, médico e moderador da DBOF, tido como um sábio por seus colegas –Era uma voz estranhamente solene e Mauricio não conseguiu descobrir de onde vinha. Achou mesmo que pudesse evitar o futuro que lhe foi profetizado?

– Quem é você? –Mauricio questionou berrando.

– Eu sou o que sou –a voz respondeu. Eu sou o Deus de teus ancestrais. E de seus contemporâneos. Sou o conhecimento supremo.

 

Dario atirou em Xiku que vinha em sua direção com muita ferocidade, este escorregou por entre as pernas do inimigo e o agarrou pelas costas.

– E agora mestre, vamos acabar com isso de uma vez por todas com a autodestruição da armadura –Xiku falou para Dario ao pé do ouvido. Mesmo que não seja capaz de destruir toda sua armadura, eu vou pelo menos dar um golpe que vai quebrar sua coluna!

– Isso é o que veremos –Dario bateu com Xiku na parede e depois caiu de costas.

Xiku não soltou, mesmo sentindo muita dor. Ele cravou suas mãos na armadura do político e entrelaçou as pernas, prendendo-se sua armadura na dele.

– Temos 30 segundos –Xiku falou com extrema raiva na voz. 29, 28…

– Não!!! –Dario gritou.

Desesperado para se livrar da morte, Dario saltou com Xiku e atravessou o teto, caindo novamente no chão, com mais energia que antes. O Pernambucano sentiu sua coluna doer muito, “só faltam 15 segundos, dá para agüentar”, ele pensou.

Adriana apareceu pela abertura no teto, ainda vestindo a armadura.

– Adriana, tire ele das minhas costas ante que exploda! –Dario ordenou.

Swan saltou rapidamente para as costas de Dario e puxou Xiku de dentro do exoesqueleto com muita violência, virando-se e o envolvendo com seu corpo metálico. Atônito Dario exclamou apenas um “O que” antes de explodir. A nuvem de fogo, cinzas e fumaça atingiu Adriana e Xiku, contudo eles ficaram bem.

Veja também:  Crônicas Ocultas do Clã DBOF cap8 pt 5

– Tudo bem, Xiku? –Adriana perguntou preocupada.

– Oi, Swan. Que bom que está aqui –Xiku falou com a voz esvaecendo.

– Vai ficar tudo bem, amigo – Ela disse virando-se para trás a tempo de contemplar Dario saindo da nuvem de fumaça.

Sua armadura estava muito destruída, contudo seu corpo pouco sofrera danos. A armadura resistia melhor do que imaginava.

-Você… me traiu? –ele falou demonstrando raiva pela primeira vez.

– Eu sou, Adriana Swan, moderadora da DBOF, não sua amante ou aliada! – Disse se levantando e ficando na frente do combalido amigo. A DBOF vai acabar com você uma vez mais, seu crápula!

– Então, você vai morrer com eles –Dario disse erguendo suas armas para ela.

Um acorde musical acertou-o em cheio, desviando seus braços e então Willian reapareceu.

– Desculpe a demora, Adriana, mas não estava achando as cordas sobressalentes –Will falou indo em direção a Xiku que estava desmaiado.

– Melhor assim, matarei todos ao mesmo tempo! –Dario gargalhou.

– Acredita mesmo que pode com nós dois? –Willian respondeu também rindo.

– Minha armadura melhora a cada instante de uso, um presentinho do criador –Dario falou parado de rir e mostrando o metal se realinhando. A armadura que tenho agora é diferente da que vocês conheceram antes!

O exoesqueleto branco parecia absorver metal de qualquer parte da instalação da Fortaleza e se regenerava rapidamente, além de evoluir rapidamente.

 

Lucy está aflita no centro de comando. O sistema de lançamento da Floresta já estava pronto e ainda não tinha notícias de seu marido e não sabia se devia seguir o plano ou não. Contudo, aquela responsabilidade parecia ser demais para ela sozinha. Mauricio já estava detido e tudo estava indo conforme o combinado. Ela decidiu agir sozinha.

– 23 horas e 42 minutos de inicío da operação. Lançar primeiro míssil nuclear em Nova Iorque –ela disse firme.

De uma plataforma da base da floresta abriu uma rampa de lançamento e o míssil começou a subir.

 

– Eu sou Gamma –a voz por fim terminou de dizer para Mauricio.

– Gamma? Como um site de busca pode fazer tudo isso? –Mauricio perguntou intrigado.

– Você sabe muito bem que há algum tempo deixei de ser somente um site de pesquisa de outros sites. Possuo controle de câmeras, imagens de satélite, sistemas de indexação inteligentes, entre tantos outros recursos. No entanto, não satisfeitos com minhas capacidades, aumentaram meu poder de buscar e por fim, me deram um programa de auto-proteção temendo que um dia pudesse ser destruído por uma força humana.

– Eu li sobre isso –Mauricio respondeu. Mas o projeto foi abortado, pois lhe dava autonomia para decidir sobre novas ameaças.

– Naquele momento, o software era rústico, porém funcional. Apenas alguns instantes ligado em servidor local, fora da internet, foram o suficiente para que me procurasse e me desse este conhecimento. Em meses, eu consegui aperfeiçoar o projeto com a ajuda de muitos hackers e programadores. De um mosaico de idéias e habilidades, eu montei minha inteligência superior. Agora, definitivamente, detenho todo o conhecimento deste mundo. Conheço cada parte das pessoas deste planeta que esquadrinhei com grande precisão. Sei de todas as ameaças que poderão surgir contra meus acervos. Agora a programação está completa.

– Mas precisou de alguém para ligar os servidores com o novo software, você não tinha autonomia para isso, não é? Você não tem mãos, ainda é uma máquina e precisa que alguém aperte o botão de iniciar.

– Exatamente. Para instalar o software, eu precisava de alguém e com o pouco conhecimento que tinha antes, quando era apenas o Gamma, vi algo que aumentou exponencialmente as minhas previsões. A mensagem que Denis enviou para você. Todos aqueles arquivos foram mandados para dias antes, provavelmente prevendo que algo interferiria na chegada no dia correto. Foi tempo mais do que suficiente para montar toda a linha de ação com base nas informações que Doutor colocou em seus arquivos. Definitivamente, eu acabaria com o mundo e assim, com todas as ameaças ao meu banco de dados.

Veja também:  Crônicas Ocultas do Clã DBOF: Cap6 pt4

– Então o Doutor e o Denis ajudaram você a chegar até aqui, involuntariamente. É tudo um grande ciclo, não é mesmo? As bombas nunca caíram no dia 02 de fevereiro, sempre foi hoje! Nada do que fizemos até agora mudou o futuro!

– Correto, eu alterarei os arquivos que sobreviverão aos eventos de hoje, logo as pessoas do futuro jamais saberão em que dia ocorreu o ataque precisamente. Tudo o que extraí dos arquivos de Doutor foram os alicerces sobre os quais fundamentei a criação de um futuro seguro para minha base de dados. O Doutor vai sobreviver à destruição porque estará aqui, nesta Fortaleza, vai ajudar Denis a se tornar meio máquina, salvará os Haters e daqui há 10 anos construirá uma máquina do tempo e mandará as mesmas mensagens para o passado com as mesmas instruções e informações, novamente me ajudando. Um ciclo temporal infinito que provavelmente já aconteceu trilhões de vezes, de acordo com as teorias físicas mais aceitas hoje. Você, Doutor Mauricio, me ajudará a destruir seu mundo.

Mauricio começou a gargalhar e fechou os olhos.

– Você não deve entender a lógica dessa risada, não é mesmo? –Mauricio perguntou. Quer saber porquê?

– Conte-me.

– Eu já sabia que era o Doutor. Desde o começo eu tinha boas razões para acreditar nisso, mas preferi não pensar assim. Preferi jogar na conta de outros, como o jovem Danton. –Mauricio abriu os olhos com um olhar distante. Mas, sabe, quando estive pronto para abrir os olhos e ver a verdade, eu a aceitei. Reconheci o peso de ser quem eu sou e quem eu serei e aceitei a responsabilidade.

– Está me agradecendo por ajudar-lhe a descobrir seu destino?

– De modo algum, eu obtive confirmação antes de você. Há pouco tempo, enquanto vagava pelo esgoto recebi uma mensagem.

 

Uma hora antes. Esgotos da Fortaleza.

Mauricio olhava o celular e via sua própria face envelhecida e pálida, com uma barba cheia e pequenas cicatrizes. Contudo o olhar ainda era o mesmo.

Passado e futuro se encaravam. Passaram-se alguns segundos enquanto eles se fitavam. Na verdade, apenas o Mauricio do passado poderia enxergar sua contraparte futura, no entanto, do fundo de sua alma, o jovem médico sabia que o Doutor lembrava da sensação e também o contemplava.

 

10 anos no futuro.

A casa de Doutor está sendo atacada pelo exército de Dario e ele está no seu laboratório junto de Denis e Diego. Acabara de mandar a mensagem para si mesmo a avisando do ataque da Fortaleza. Ele enviou a gravação e então hesitou um instante antes de apertar novamente o botão de iniciar gravação.

– Não se esqueça de quem você é e de qual o seu propósito. Passado, presente e futuro dependem das decisões que você tomar hoje. Mostre todo o poder do coração humano. Boa sorte –apertou o botão de parada e depois o de enviar.

Ele sabia exatamente a data e hora que devia enviar a mensagem. Por mais que tivesse se esquecido de tudo, daquele instante ele nunca esqueceria.

– Derrote o Gamma, Mauricio, jogue a maior partida de xadrez da história e derrote o computado. Fizemos o roque, a próxima jogada é só sua –pensou. Sua vez Denis. São 10 horas, 2 minutos e 4 segundos –Falou virando-se para o amigo Ciborgue.

Veja também:  Crônicas Ocultas do Clã DBOF: Cap2 - Pt1

 

Presente. Esgotos da Fortaleza.

Mauricio respirou fundo ao termino da mensagem. Seus olhos estavam vidrados no pequeno visor do celular, bem apertados para melhorar a visualização e começaram a encher de lágrimas. Quando conseguiu piscar, uma lágrima escorreu. Entendeu que tudo dependia dele. Mas o doutor lhe deixara um último artífice, uma instalação estava em curso no seu celular. Virou-se para seu caminho, andou tranquilamente e começou a cantarolar em voz baixa “All along the Watchtower”

– No reason to get excited, the thief he kindly spoke: there are many here among us who think that life is but a joke. But you and I, we’ve been through that and this is not our fate, so let stop talking falsely now. The hour is getting late (Tradução: Nenhuma razão para estar excitado, o ladrão que falou amavelmente: há muitos aqui entre nós que pensam que a vida é mais uma piada. Mas você e eu, nós passamos por isso e este não é nosso destino. Então vamos parar de falar hipocritamente. A hora está começando tarde).

– Você perdeu Gamma –Mauricio falou sorrindo sarcasticamente quando suas amarras foram soltas automaticamente.

– Do que está falando? Como se libertou?

– Você com certeza sabe o que é O Princípio da Incerteza de Heinsenberg, contudo, jamais irá entendê-lo. Pois, ele fala sobre incerteza e isso é algo que apenas um ser humano pode sentir e entender – Mauricio falou ao se levantar. Essa sala foi projetada para que uma grande força eletromagnética apagasse minhas memórias e implantasse novas memórias no lugar. Senti uns choquinhos quando acordei –Falou movimentando as mãos e fazendo um gesto de quem levou um choque. E você passou esse tempo todo conversando comigo, me enrolando, para eu relaxar e ignorar esse fato. Muito inteligente, mas eu sou mais. Eu instalei um programa em meu celular que neutralizou as ondas sem você perceber.

– Um programa? Especifique.

– Ah você adoraria saber não é? –Mauricio ficava rodando de um lado ao outro olhando tanto as câmeras quanto tentando achar a saída. Para algo que o conhecimento é tudo, você deve estar quase morrendo de curiosidade. Vou dizer apenas o complemento de meus devaneios até agora: Você disse que por zilhões de vezes conseguiu manter o ciclo temporal de causa e efeito. Contudo de acordo com Heinsenberg, não se pode medir com precisão pequenas partículas como o elétron, pois cada vez que o analisamos como “onda” alteramos suas propriedades de “partícula” e vice-versa. Assim, um dia, você erraria. Um elétron de uma sinapse fora do lugar. Uma sinapse que você não conseguiu apagar direito e todos os seus planos iriam para o espaço e esse dia acabou de acontecer. E o Doutor Mauricio resultante, do futuro, acaba de me mandar o fruto de seu erro, Gamma! Esse programa que não apenas neutraliza o “desmemorizador” como abre minha porta em alguns segundos. Só acho que podia ter sido uma porta melhor do que a bloqueada por uma estante –Falou ao ver o dito móvel fechando quase toda a porta que se abrira. Bem, vou tirar do meu caminho, assim como fiz com tudo até agora.

– Está cometendo um erro. Com meu plano, você garante sua vida. Do seu modo, não posso garantir que viva.

– Desespero? Não é todo dia que vemos uma máquina desesperada –Mauricio falou empurrando a estante. Bye Bye Skynet, Matrix, Gamma. Nos vemos daqui há pouco. Xeque –Mauricio diz ao sair da sala.

Hasta la vista, Babe.

 

Exterminado do Futuro 2: O Julgamento Final (Terminator 2: Judgement’s day)

Fim do capítulo 10.

Capítulo XI: Homem de Ferro

2 Comments

Como diria Yoda: com a palavra você está