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Crônicas Ocultas do Clã DBOF: Cap1 – Pt2

cronicas-ocultas

Por: M. Barreto

Capítulo I: Cicatrizes

O Doutor já estava trabalhando lá embaixo há 4 horas. Sentia-se cansado e faminto. Acionou um botão na parede que acionou uma maquinaria e lhe trouxe o jantar. Estava perto demais para parar. Ligou a TV, foi até um estante pegou um DVD e colocou-o no vídeo. O DVD chamava-se “Teste de Denis 14”.

Ele aparece na tela numa manhã ensolarada com o jaleco mais limpo e arrumado, mas a mesma cara de cansaço de hoje, contudo estava mais sorridente e brincava mais com Denis.

–        1o teste: fogo. – disse para a câmera. Garoto, agora quero que você atire uma rajada de tiro naquela rocha.

–        Assim –falou Denis enquanto saia um cano de seu braço e começou a atirar no alvo estipulado pelo Doutor.

–        Tempo de resposta 0,5s. Demorou 5s para destruir a rocha de 1m3. Impressionante amigão.

A imagem corta para a cena seguinte, de dia ainda.

–        2o teste: Força. Seus braço e pés mecânicos se interconectam de forma a aumentar sua força, certo.

–        Sim.

–        Então erga esse peso de 200 kg e arremesse-o o mais distante possível.

Ele o fez sem problemas. Em um instante o bloco estava sobre sua cabeça, em outro estava voando à grande velocidade e à grande distancia.

–        Ok, passemos para o próximo Denis –recebeu um sinal de positivo com o braço normal.

Outro corte para uma cena de tarde.

–        3o Teste: Vôo. A cyber-mochila já está bem adaptada. Vai nessa, amigão.

–        Subir, subir e voar! –falou Denis arrancando uma gargalhada do Doutor.

Dos pés de Denis saíram jatos de fogo que o impulsionaram para o alto com uma velocidade incrível com a cyber-mochila dando estabilidade. Voou alto e rápido.

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–        Já está bom seu doido. Não queremos que congele ai em cima –O Doutor falou sério em tom de brincadeira.

–        Ok, vou descer um pouco –falou como uma criança contrariada.

–        Use sua ultravisão e rastreie uma agulha num palheiro.

–        Procurando gente viva –olhou por todos os lados enquanto fazia uma longa curva no ar. Nada Doc. Espere há algo lá embaixo.

–        Cuidado, pode ser… –“não, não é” ouviu no alto-falante.

Denis Desceu e procurou por vestígios de alguém em uma cidade destruída, outrora uma grande metrópole. Ele foi até um grande muro caído e o levantou usando o braço biônico.

Um garotinho e uma mulher jovem se alimentavam com enlatados muito envelhecidos e ficaram espantados com a chegada do Cyborg.

–        Vocês estão bem? – perguntou Denis chegando mais perto.

–        Nos deixe em paz! Foi você quem fez tudo isso! –disse o garotinho.

–        Calma João –disse a mulher. Ele só está assustado, só isso. Não nos machuque –abraçou o garoto fortemente.

–        Eu não vim machucá-los. –Denis falou amavelmente. Vim ajudar vocês. Somos amigos e se quiserem poderemos dar abrigo a vocês. Existe uma colônia de sobrevivente e…

–        Não, obrigada. Estamos bem aqui – falou a mulher abraçando forte João.

–        Isso mesmo, Malu –falou o garotinho dando a língua para Denis.

–        Se mudarem de idéia, me contactem –tirou um radio do bolso e o deixou no chão. Adeus e… Boa sorte.

Saiu pela abertura no teto e recolocou o muro caído no lugar. “Espero que sobrevivam” pensou.

O vídeo trocou de câmera e mostrou o Doutor alisando o pêlo de Pual em sua cadeira giratória.

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–        Ta vendo, Pual. Nem todo mundo bate muito bem da bola.

O Doutor estava sobre a mesma do vídeo cadeira giratória e havia acabado de comer. Foi até o monitor e desligou. Olhou para o lado e viu papéis em cima da mesa. Havia desde recortes de jornal, panfletos à certidões de nascimento e grandes arquivos denominados fichas-pessoais. Ele fitou um recorte de jornal por um instante e o pegou para ler mais atentamente.

–        Claro, é óbvio! –exclamou em alto e bom som.

Puxou uma das fichas-pessoais e olhou em volta procurando algo. Encontrou uma caneta e traçou uma linha reta numa folha em branco. Marcou um ponto denominado de “posse” e outro chamado “Armageddon” à direita. Outro ponto foi marcado como hoje à direita de “Armageddon” e o intervalo entre eles ficou assinalado como “Guerra”. Sentou-se e ficou observando o papel um instante, olhou para cima e fechou os olhos.

Passou muito tempo imóvel, apenas respirando lentamente. Abriu os olhos e voltou a olhar o papel, traçando uma linha curva pontilhada de “hoje” até “posse”, em seguida traçou outra linha reta que nascia do ponto “posse” e seguia se afastando da linha original. Seus olhos se arregalaram, pegou seus óculos no bolso e leu a ficha em suas mãos. Per passou as páginas e verificou profundamente as datas. Olhou o recorte de jornal que dizia:

“Jovem candidato ao cargo de deputado estadual se destaca na luta da soberania militar do Brasil e é eleito em Alagoas”, datado de 08 de novembro de 2010.

Um outro papel na mesa parecia ter sido um documento oficial com várias marcas de carimbo do governo e dizia:

“Base da RFB sitiada em Al, registro (em código de barras) se prontifica a receber carga militar valiosa e desenvolvimento de pesquisas em força bélica a partir da data supracitada”. Sem data definida.

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Uma página de jornal tinha as manchetes:

“Centenas de pessoas se preocupam com ocupação dos sem-terra ao sul do estado de Alagoas” e “Mocinha será atacada pela vilã da novela que chega ao seu auge hoje a noite” e na mesma página, menor, “Governo desembarca tropas do exército em manobra no norte do país com grande quantidade de material de apoio humanitário”. Datado de 04 fevereiro de 2008.

–        Apoio humanitário hein… – Examinou a ficha em suas mãos novamente, olhando agora para a foto do perfil. Então será você… o Salvador…

Fechou o documento e o jogou em cima da mesa. Sentou-se em sua cadeira e sorriu. Retirou os óculos do rosto, esfregou os olhos com calma, limpou a lente e guardou-a no bolso. Levantou e subiu pelas escadas com um brilho nos olhos e felicidades ao caminhar. Foi até o quarto de Denis. Ele dormia tranquilo.

O Doutor fechou a porta do quarto com cuidado. Foi até a cozinha e abriu a porta dos fundos. Olhou em volta do quintal para um misto de destruição e reconstrução. Subiu até a laje e sentou olhando para o oeste.

Naquela madrugada de verão, o Doutor fez algo que há mais de dez anos não fazia: viu o Sol nascer e com ele a esperança de um outro futuro.

Continua…

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